Grupo de Forcados Amadores de Riachos, Rua do Sargaço 2350-355 Freguesia de Riachos Concelho de Torres Novas Distrito de Santarém GPS - 39.440925, - 8.509502
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Assim não
A história só faz história, com algum trabalho, horas de pesquisa e muito dinheiro gasto em contactos, deslocações, e mais uma série de procedimentos que são necessários para a deixar registada.
Nos dias que correm essa atitude está mais facilitada devido ás tecnologias que dispomos.
Possuímos, maquinas fotográficas digitais, computadores telemóveis, e um sem numero de recursos que nos permite, recolher e armazenar material.
É tão fácil hoje em dia começar a fazer historia, o único problema é a vontade.
Os que hoje não ligam a essas coisas, certamente mais tarde vão querer lembrar-se de acontecimentos passados protagonizados por eles afim de elucidarem filhos, netos, ou simplesmente enriquecerem o patrimonio cultural da terra que os viu nascer.
Vão arrepender-se, de não terem guardado registo desses factos.
Estas novas gerações, têm que se preocupar, em deixar registos por mais insignificantes que eles pareçam.
Existem pessoas que podem ir tratando da informação, basta para isso terem a preocupação de registarem o melhor possível todos os eventos.
Levem para os treinos, corridas, jantares, etc. uma maquina fotográfica, tirem apontamentos de nomes, locais e datas, é que amanhã será outro dia.
domingo, 9 de janeiro de 2011
O medo
João Paulo "Palitos" a olhar para a "porta dos sustos"
A pega ou a arte de pegar toiros só a alguns é permitida, quer pela valentia e audácia que requer, quer pelo simples facto de o Forcado saber controlar o medo.
Não se começa a pegar só para mostrar que se é valente.
Começa.se a pegar porque, como tudo na vida, tem que haver condições propicias para o fazer.
Geralmente vive-se numa zona ou terra com tradições taurinas, ou então tem-se familiares e amigos que são ou já fizeram parte de Grupos de Forcados.
Só depois é que podemos começar a falar em valentias.
Mas isso só por si não basta, tem de haver depois o gosto e até um pouco de temeridade, mas também um grande controlo sobre o medo para que não se traduza em pânico e uma grande dose de humildade.
Nas corridas, as figuras dos Campinos e dos Forcados são singulares e genuinamente Portuguesas.
Não faz sentido comparar os Forcados de hoje com os de antigamente, a avaliar pela entrevista que foi feita ao João Serra "O Forcado das mil pegas"
Alguns excertos dessa entrevista:
Houve empresas que o contrataram separadamente para que fosse ele, independentemente dos Forcados do cartel, a fazer as pegas de caras, chegou a pegar todos os toiros de cada corrida.
Naqueles tempos com "bois" mal intencionados com três e quatro corridas e de quinhentos e tal quilos.
Quando mal ajudado era quando fazia as pegas mais rijas.
Já contava quase com cinquenta anos quando fez a sua ultima pega.
Uma vez em Coruche fiquei muito mal por causa de um "boi" mal intencionado, que eles tinham deixado para os curiosos, dizendo que havia uma libra em oiro para quem o pegasse. Como ninguém lá foi, atirei-me eu para a cabeça do bicho e peguei-o mas levei muita "bordoada" e depois não me deram a libra. Mas aquilo é que era um toiro! tinha um poder de um "boi" pai de vacas!...)
Eram assim os homens de Riachos, "antes partir do que vergar".
A pega ou a arte de pegar toiros só a alguns é permitida, quer pela valentia e audácia que requer, quer pelo simples facto de o Forcado saber controlar o medo.
Não se começa a pegar só para mostrar que se é valente.
Começa.se a pegar porque, como tudo na vida, tem que haver condições propicias para o fazer.
Geralmente vive-se numa zona ou terra com tradições taurinas, ou então tem-se familiares e amigos que são ou já fizeram parte de Grupos de Forcados.
Só depois é que podemos começar a falar em valentias.
Mas isso só por si não basta, tem de haver depois o gosto e até um pouco de temeridade, mas também um grande controlo sobre o medo para que não se traduza em pânico e uma grande dose de humildade.
Nas corridas, as figuras dos Campinos e dos Forcados são singulares e genuinamente Portuguesas.
Não faz sentido comparar os Forcados de hoje com os de antigamente, a avaliar pela entrevista que foi feita ao João Serra "O Forcado das mil pegas"
Alguns excertos dessa entrevista:
Houve empresas que o contrataram separadamente para que fosse ele, independentemente dos Forcados do cartel, a fazer as pegas de caras, chegou a pegar todos os toiros de cada corrida.
Naqueles tempos com "bois" mal intencionados com três e quatro corridas e de quinhentos e tal quilos.
Quando mal ajudado era quando fazia as pegas mais rijas.
Já contava quase com cinquenta anos quando fez a sua ultima pega.
Uma vez em Coruche fiquei muito mal por causa de um "boi" mal intencionado, que eles tinham deixado para os curiosos, dizendo que havia uma libra em oiro para quem o pegasse. Como ninguém lá foi, atirei-me eu para a cabeça do bicho e peguei-o mas levei muita "bordoada" e depois não me deram a libra. Mas aquilo é que era um toiro! tinha um poder de um "boi" pai de vacas!...)
Eram assim os homens de Riachos, "antes partir do que vergar".
Ainda existem
Por vezes sem esperar-mos somos rodeados por amigos e amigos dos amigos, que nos levam em "viagens" ao passado e a outras mais actuais.
Ainda existem pessoas na Vila de Riachos, que preservam as suas memorias e a dos mais antigos.
São recordações, que parecem actuais quando numa tertúlia de amigos se fala delas com entusiasmo e com o olhar cintilante denotando que uma lágrima quer aflorar.
Jorge Vaz "Radar", Luís "China", levaram-me ao passado, que se encontra religiosamente guardado em casa de José Alexandre e Rui Alexandre, (Pai e Filho)
São memorias de acontecimentos taurinos, alguns protagonizados por pai e filho, que com orgulho os exibem nas paredes da sua adega na Vila de Riachos.
Gente boa como me tinha confidenciado o "Radar" (e eu confirmei), receberam-me de braços abertos e não se pouparam a esforços para me agradar.
Rui Alexandre, e seu pai nunca pertenceram a um dos grupos de Riachos, mas por amor à terra e à tradição integraram os Grupos de Forcados Amigos de Riachos, que esporadicamente se organizavam para pegar as corridas das festas da Bênção do Gado.
É de pessoas com esse espírito, que os futuros Grupos que se venham a constituir precisam.
Algumas curiosidades
Manuel Alcorriol, apresentou-se oito épocas seguidas na Monumental do Campo Pequeno em Lisboa, comandando o Grupo de Forcados de Riachos.
Pegou toiros cerca de trinta anos e a sua técnica era tal (aliada à sorte evidentemente) que o unico acidente que teve foi uma ligeira pisadela de um toiro.
Quando o Rei Afonso XIII visitou Lisboa oficialmente, o que ele mais apreciou na corrida de toiros em sua honra foi uma valente pega de caras feita pelo Forcado Alcorriol a um bravo toiro de Luís Gama.
Na cidade de Abrantes existiu uma Praça de Toiros, e a sua inauguração foi a 8 de Julho de 1900., uma curiosidade neste evento reside, em que na véspera desta inauguração foi distribuído um bodo aos pobres.
Numa freguesia de Abrantes (Rio de Moinhos) existiu um cavaleiro tauromáquico de seu nome Manuel Soares Castelo, nascido a 27 de Dezembro de 1889.
Encontra-se (até à data) na Vila da Golegã, a chamada porta grande que pertenceu à Praça de Toiros que existiu em Torres Novas, (servindo de portão a um barracão de uma quinta).
Torres Novas, já teve uma Escola Tauromáquica, bem no centro da cidade numa zona com a denominação de Quinta da Leziria.
Essa escola foi fundada em 1954 por um aficionado Torrejano de seu nome Mário de Sousa Pereira Leão.
Para terminar vou descrever o que um critico taurino viu no ano de 1972, na Praça de Vila Nova da Barquinha e que parece querer fazer tradição (mas mal) nos dias de hoje.
Oitenta e uma pessoa dentro da trincheira, e vai descriminando:
Dois cavaleiros, seis bandarilheiros, vinte e três Forcados, dois Campinos e quarenta e oito fulanos sem funções descriminadas.
Mas há mais e ele continua a sua critica dizendo que durante a lide do primeiro toiro, vinte e una pessoas estiveram debruçadas sobre a trincheira sem que ninguém fosse por ordem naquilo.
Pegou toiros cerca de trinta anos e a sua técnica era tal (aliada à sorte evidentemente) que o unico acidente que teve foi uma ligeira pisadela de um toiro.
Quando o Rei Afonso XIII visitou Lisboa oficialmente, o que ele mais apreciou na corrida de toiros em sua honra foi uma valente pega de caras feita pelo Forcado Alcorriol a um bravo toiro de Luís Gama.
Na cidade de Abrantes existiu uma Praça de Toiros, e a sua inauguração foi a 8 de Julho de 1900., uma curiosidade neste evento reside, em que na véspera desta inauguração foi distribuído um bodo aos pobres.
Numa freguesia de Abrantes (Rio de Moinhos) existiu um cavaleiro tauromáquico de seu nome Manuel Soares Castelo, nascido a 27 de Dezembro de 1889.
Encontra-se (até à data) na Vila da Golegã, a chamada porta grande que pertenceu à Praça de Toiros que existiu em Torres Novas, (servindo de portão a um barracão de uma quinta).
Torres Novas, já teve uma Escola Tauromáquica, bem no centro da cidade numa zona com a denominação de Quinta da Leziria.
Essa escola foi fundada em 1954 por um aficionado Torrejano de seu nome Mário de Sousa Pereira Leão.
Para terminar vou descrever o que um critico taurino viu no ano de 1972, na Praça de Vila Nova da Barquinha e que parece querer fazer tradição (mas mal) nos dias de hoje.
Oitenta e uma pessoa dentro da trincheira, e vai descriminando:
Dois cavaleiros, seis bandarilheiros, vinte e três Forcados, dois Campinos e quarenta e oito fulanos sem funções descriminadas.
Mas há mais e ele continua a sua critica dizendo que durante a lide do primeiro toiro, vinte e una pessoas estiveram debruçadas sobre a trincheira sem que ninguém fosse por ordem naquilo.
sábado, 8 de janeiro de 2011
Retirados do tempo
Aficionados ou simpatizantes são pessoas que nutrem um gosto ou simpatia por algo.
Essas pessoas são uma peça fundamental, para a divulgação de qualquer fenómeno, e não menos importante, com a responsabilidade de passarem esse fenómeno para as gerações vindouras.
Esse elo de ligação com as outras gerações faz com que as tradições não se percam.
Essas pessoas acabam por ser tão (ou mais) importantes que os artistas, ou as áreas em que eles estejam inseridos.
São elas que a seu modo fazem crescer nos outros os gosto por qualquer coisa e os influenciam a que difundam essa mensagem através dos tempos.
Algumas delas merecem ser perpetuadas das mais diversas formas.
Eu escolhi esta.
Essas pessoas são uma peça fundamental, para a divulgação de qualquer fenómeno, e não menos importante, com a responsabilidade de passarem esse fenómeno para as gerações vindouras.
Esse elo de ligação com as outras gerações faz com que as tradições não se percam.
Essas pessoas acabam por ser tão (ou mais) importantes que os artistas, ou as áreas em que eles estejam inseridos.
São elas que a seu modo fazem crescer nos outros os gosto por qualquer coisa e os influenciam a que difundam essa mensagem através dos tempos.
Algumas delas merecem ser perpetuadas das mais diversas formas.
Eu escolhi esta.
Eu, que nem sou de lá
Uma das tradições que se foi desvanecendo ao longo dos anos na Vila de Riachos, foi a de se acautelar a continuidade do seu Grupo de Forcados.
Antigamente eles eram os "ídolos" que levavam o nome daquela Vila por esse Portugal e alem fronteiras.
Acredito que os mais antigos ainda guardam pensamentos límpidos de amor e gratidão a quem vestiu uma jaqueta do Grupo de Riachos.
Os mais jovens, com tanta diversificação de solicitações "menos ásperas", esqueceram as suas tradições.
Estou em crer que não havendo uma "táctica" para cativar os jovens a serem sensíveis às tradições da sua terra, estes serão absorvidos pela tal diversificação de opções, que vão desde fenómenos desportivos, discotecas, e até outra menos saudáveis.
Nos currículos escolares deveria existir alguma carga horária, para se dissertar acerca da historia de cada localidade.
Lamentavelmente, isso não acontece e em contactos fortuitos com algumas pessoas da Vila de Riachos, ou que lá habitam, estas nem sabem que existiram grupos de Forcados naquela terra.
Eu, que nem sou de lá, nem nunca lá residi e também não tenho uma ligação familiar que me possa proporcionar um entendimento natural, dessas tradições reconheço o esforço de alguns jovens em querer reabilitar essa tradição.
Antigamente eles eram os "ídolos" que levavam o nome daquela Vila por esse Portugal e alem fronteiras.
Acredito que os mais antigos ainda guardam pensamentos límpidos de amor e gratidão a quem vestiu uma jaqueta do Grupo de Riachos.
Os mais jovens, com tanta diversificação de solicitações "menos ásperas", esqueceram as suas tradições.
Estou em crer que não havendo uma "táctica" para cativar os jovens a serem sensíveis às tradições da sua terra, estes serão absorvidos pela tal diversificação de opções, que vão desde fenómenos desportivos, discotecas, e até outra menos saudáveis.
Nos currículos escolares deveria existir alguma carga horária, para se dissertar acerca da historia de cada localidade.
Lamentavelmente, isso não acontece e em contactos fortuitos com algumas pessoas da Vila de Riachos, ou que lá habitam, estas nem sabem que existiram grupos de Forcados naquela terra.
Eu, que nem sou de lá, nem nunca lá residi e também não tenho uma ligação familiar que me possa proporcionar um entendimento natural, dessas tradições reconheço o esforço de alguns jovens em querer reabilitar essa tradição.
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