quarta-feira, 29 de junho de 2011

"Abandonei os meus rapazes"

Repartindo os dias de férias, com visitas a Palácios, Museus, Exposições, e idas à praia, entre outros eventos "abandonei" os "meus" rapazes.
Certo é que por acaso, até nem tinham eventos agendados para esse período, o que me deixou mais à vontade para desfrutar desses momentos de lazer.
Acontece porem que durante essas férias me ligaram (tiveram sorte em apanharem o telemóvel ligado) para me comunicarem que em cima do acontecimento tinham sido convidados para uma demonstração de pegas.
Sem os poder acompanhar e por isso fiquei com o "sangue a ferver-me nas veias" limitei-me a desejar-lhes sorte.
Pela manhã do dia seguinte ao do evento, liguei ao "Cabo" Carlos Branco para lhe perguntar como correu o acontecimento.
Tudo tinha corrido bem e também fiquei a saber que as Jaquetas já estavam prontas e em poder do Grupo.
Logo que possa ir ter com a rapaziada para recolher pormenores desse evento aqui os irei deixar registados.
Mas enquanto isso não acontece é tempo de deixar mais um assentamento.
Estar "à estaca" prostrado numa toalha de praia a contar as horas passarem nunca fez o meu feitio por isso, ora passeio pela orla marítima, ou fico sentado num rochedo lendo, escrevendo, ou imaginando as tormentas que os nossos navegadores passaram.
Mas o que ler ?!!
Já nada me satisfaz, (estou a ficar velho) e livros ou revistas para as quais quero virar a minha atenção ou são escassas ou custam os olhos da cara.
Mesmo assim lá consegui correr umas papelarias até encontrar algo que me satisfizesse.
Encontrei a revista Ruedo Ibérico, um numero atrasado de Abril, mas que importava se me iria dar gosto ler e ver as fotografias.
Comprei a revista, e na penúltima pagina deparo-me com uma reportagem da autoria de Sónia Baptista, com o titulo "Ruedos de Sentimento".
Uma fotografia de um Forcado que trazia impressa  em letras "garrafais" o nome de José Timóteo.
Ora este José Timóteo (segundo o artigo) era natural de Faias, concelho do Montijo.
Teria levado uma vida, toda ela ligada à tauromaquia e iniciou-se como Forcado nos Forcados Amadores de Riachos, tendo posteriormente passado pelos Amadores de Lisboa, Amadores de Vila Franca de Xira, acabando por durante muitos anos ser Cabo dos Amadores do Setúbal.
Ainda segundo esse artigo, em 1961 juntamente com Adelino de Carvalho e José Gonçalves rumaram a Madrid para participarem nas filmagens do filme Italiano "Ursus, o filho de Hércules"
José Timóteo, fez a sua despedida enquanto Cabo dos Amadores de Setúbal, numa tarde de Domingo, 6 de Agosto de 1967.
José Timóteo, partiu desta vida, no mês de Março 2011, vitima de doença.
Mais um nome que me chegou, "sem o procurar" e que até agora eu desconhecia que tivesse pertencido a um dos Grupos de Riachos.
Vai ficar arquivado para ser recordado, e a sua fotografia, exposta na tertúlia (se o Cabo assim o entender)               

terça-feira, 14 de junho de 2011

"Os homens que sorriem para a morte"

O gosto pelo que se faz e o "peso" da responsabilidade leva alguns Forcados a diminuírem a importância do acontecimento.
A isso eu chamo-lhe "sorrir para a morte".
As expressões faciais de alguns, "os que sorriem" transmitem-nos a sensação de que não se vai passar nada, está tudo sobre controle.
Puro engano.
Os animais são imprevisíveis e o homem que está na sua frente sabe isso, só que pela sua maneira de ser e perante os outros disfarça a sua "insegurança" pessoal pelo que possa vir a acontecer.
O animal até pode ter tido uma boa prestação durante a lide, até pode ter sido bem avaliado no desempenho que mostrou no capote ou com o cavalo, mas basta haver uma diversão protagonizada por algum ajuda ou mesmo por algum movimento na trincheira para que as coisas não resultem como esperado.
Mas alguns Forcados sorriem sempre porque é assim que sempre estiveram "dispostos a enfrentar a morte", com um sorriso.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Uma ideia bonita para despedida

No Jornal "O Ribatejo" de 29 de Outubro de 1998 aparece um artigo sobre a despedida de João Santos. Riachos disse adeus ao seu cabo de Forcados em final de temporada, organizando uma novilhada popular.
Uma ideia bonita dando oportunidade a jovens toureiros, tendo João Carlos Folgado e Filipe Gonçalves prestado provas para cavaleiros praticante.
Presentes também o cavaleiro José Luís Poço e a cavaleira Sónia Matias.
Os novilhos toiros pertenceram à divisa roxo e vermelha de Ernesto de Castro.


Assim foi, e se estivermos atentos a pormenores poderemos deduzir entre outras coisas que houve alguma preocupação do cabo em fazer, uma despedida simples, com artistas "simples" rodeado pela "simplicidade" da sua terra e das suas gentes.
Em 1997, João Santos, levou o seu Grupo a 18 espectáculos, incluindo o dia de Carnaval, que tinha uma parte cómica para crianças, duas corridas em Espanha e mandou quatro Forcados a uma selecção para pegar no Campo Pequeno em Lisboa.
Essa despedida deu-se a 25-10-1998.

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errónea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi e voou
E hoje é já outro dia
(Fernando Pessoa)

sábado, 4 de junho de 2011

Sinto que já valeu a pena

Pelo comentário do nosso amigo (que ainda não conheço) Carlos Amado, na pagina "eu vou pela paz" sinto que já valeu a pena ter iniciado este blogue, até porque não fazia sentido ter estes arquivos "em clausura".
Quando lhes pego (nos arquivos) acabo por ficar com sentimentos contemplativos, saboreando no meu imaginário o que teria sido a vida daqueles homens, antes e depois das toiradas em que participavam.
Perderam-se muitas das historias e mais se vão perder porque continua a não existir o hábito de as deixar registadas.
Algumas das que fui recolhendo (e ainda recolho) pelos vistos e através deste blogue, vão despoletando sentimentos e recordações em alguns Riachenses, o que me leva a ficar satisfeito por ter iniciado este trabalho.
Sem perturbações exteriores, (que infelizmente existem) vou dando o meu melhor, para assim deixar perpetuadas as memorias daqueles que foram protagonistas numa arte que eu aprecio.
Aproveito esta pagina para fazer um apelo, a todos os Riachenses, (e não só) no sentido de recuperarem dos mais idosos, historias que estes se recordem, ou até documentos, fotografias, etc.. (que podem fotocopiar) e entregar depois ao actual "cabo" Carlos Branco, devidamente referenciadas com o nome de quem as recolheu para que assim me sejam entregues.
" Um por todos todos por um"   "Só faz falta quem está"



Para completar esta pagina deixo-vos o cartel, de uma corrida realizada num Domingo, (1 de Julho de 1945).

Praça de Toiros de Torres Novas

8 Touros
Cavaleiro, Simão da Veiga
Espadas, Manolo Ortiz e Augusto Gomes
Forcados de Riachos
Cabo: Serra Torres; João Soares Nunes; Ezequiel Luís; José dos Santos; António Augusto; Miguel da Silva; Damásio Rodrigues; José Amado.
Banda Operária Torrejana.

José da Silva Amado
Luís da Silva Amado
"Esquerda" José Amado "Direita" Damásio Rodrigues

sábado, 28 de maio de 2011

Os Caminhos de Ferro Portugueses



 O mais perspicaz (a idade conta muito) vai-se apercebendo, que por vezes na vida, tudo se cruza e tudo faz sentido.
O que vos quero transmitir é que ontem 27-05-2011, estive no "lançamento" de um livro, evento para o qual estava convidado e que se realizou nos Passos do Concelho da Câmara Municipal do Entroncamento.Os Trabalhadores da Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses no Entroncamento, 1860»1910, é este o titulo da obra de autoria do Prof. Dr. Carlos Manuel Barbosa Ferreira, um amigo de longa data.
Acontece que cruzando os Caminhos de Ferro dessa época com os Grupos de Forcados de Riachos, veremos o quanto era importante esse meio de transporte.
Um ilustre Riachense, de seu nome Joaquim Santana, a isso fez referência em 09-10-2004 no Museu Agrícola de Riachos, numa introdução para a apresentação do livro, "Esquecidos da Morte" Forcados de Riachos.
Contava o Sr Joaquim Santana que nas conversas à lareira, o seu pai lhes ia narrando (à família) histórias daquele colectivo de homens que faziam imensas corridas de toiros por época (estamos a falar em finais do século dezanove inicio do século vinte).
Contava, que na maioria das vezes, os Forcados de Riachos não chegavam a entrar em suas casas.  
As mulheres, ou as mães de alguns ainda solteiros, iam à Estação do Minhoto levar-lhes as mudas de roupa, porque eles faziam as viagens de comboio e não dava para perderem tempo, saltando assim de corrida em corrida. 
Aqui fica este pequeno apontamento para a história de Riachos e dos Grupos de Forcados que ai foram sendo criados ao longo dos anos.
  

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Entroncamento

Lá diz o ditado popular que "as conversas são como as cerejas" e é bem verdade.
Hoje fui convidado para um almoço.
Seis a uma mesa, degustando o repasto, e falando dos mais variados temas.
Eu só conhecia dois, mas no seguimento das conversas, fiquei a saber que os outros três foram amigos de um outro amigo meu.
Digo foram, porque esse meu (nosso) amigo já faleceu.
Chamava-se, Fernando Gomes mais conhecido por "Al Capone" que foi Forcado num dos Grupos que existem aqui no Ribatejo.
Um dos presentes, foi "companheiro de lides" do Fernando, um outro acompanhou a sua doença até ele se finar.
O meu pai era muito amigo do Fernando, que por sua vez, já passado uns bons anos do meu pai ter falecido chegou a ser meu treinador de Boxe, aqui no Entroncamento num Clube que existiu com o nome de (Onze Unidos).
Foi com alguma nostalgia, que recordamos, essa ligação ao Fernando, e o seu "companheiro de lides" falou-me de um acontecimento, em que eles foram intervenientes e que me pareceu ser uma singularidade.
Ficou de procurar umas fotografias para me emprestar com a finalidade de corroborar o que me contou.
Ficarei à espera dessas e outras fotografias, mas até lá deixarei aqui, (e porque sou do Entroncamento) dois cartazes que têm a particularidade que me leva a crer que existiu vontade de se formarem Grupos de Forcados no Entroncamento, esses cartazes têm dez anos de diferença.
 

 

terça-feira, 24 de maio de 2011

"Tagarela"

Marco Alves o "Tagarela"
Lembro-me perfeitamente desta "personagem" que juntamente com o Ângelo eram os protagonistas em transmitir grande segurança, a todos os elementos, quando o Grupo tinha que resolver "problemas difíceis".
Ambos, ( Marco e Ângelo) também eram  detentores de uma hilariante forma de estar no Grupo animando quem estivesse por perto (especialmente o "Tagarela").
Recordo, que uma vez, fiz cerca de 50 quilómetros para recolher umas fotografias que o "Tagarela" disse que tinha em seu poder.
Fiz os 50 quilómetros, esperei por ele cerca de duas horas e acabei por me vir embora sem que tivesse noticias do "Tagarela".
Partida ou não custou-me um bocado, mas ele não foi o único que me pregou destas "desfeitas".
Nunca mais soube o que lhes teria acontecido, nem que caminhos trilharam, até ontem, dia em que obtive um comentário no blogue em que um Marco a residir nos Estados Unidos da América, me pedia para lhe enviar o meu email.
Julgo ser este Marco "O Tagarela" a que me estou a referir nesta pagina, pois ainda não obtive resposta ao email que lhe enviei.
Assim sendo, estou emocionado e desejoso, que me esclareça sobre o rumo que levou desde que "abandonou" o Grupo de Riachos.
Também ainda estou à espera que me envie as fotografias que disse ter (será mesmo que as tem ou foi partida do Tagarela ?).
Fica bem Amigo, (onde quer que estejas) e vai dando noticias.
O que tenho sobre ti e o Ângelo, não é grande coisa mas aqui ficam para memória futura.   
Sempre a trabalhar em prol do Grupo
João Neves "Tordo";  Gandara; Marco Alves; Ângelo 
 
Em Cascais
"Era sempre a dar o corpo ao manifesto"
Ângelo e o cabo na 1ª tertúlia
Marco Alves e o cabo
Era disto que vocês pegavam
Em campo aberto (a ver o que lhes ia calhar em sorte)