sábado, 23 de julho de 2016

O peso da responsabilidade




Na Vila de Riachos, todos acusam o peso da responsabilidade em receber bem os forasteiros que querem assistir aos festejos da Bênção do Gado, isto a avaliar pelo pouco que vi hoje quando me desloquei aquela Vila.
Também o peso da responsabilidade assenta em cima dos ombros de quem comanda o Grupo de Forcados Amadores de Riachos, que pela primeira vez, em uma corrida formal vai comandar homens na terra que o viu nascer (Riachos). João Paulo Conde Branco é o atual cabo deste grupo e organizou hoje um treino com a tourinha com a finalidade de corrigir, determinadas posturas, dos elementos que compõem aquele Grupo de Forcados.
Assisti a uma parte do treino onde inicialmente (e muito bem) foram focados (pelo jovem cabo) aspetos sobre atavio, postura, entre outras particularidades que se propõem para que o resultado final seja positivo na corrida de 30-07-2016, (sábado) pelas 17h00.
Como recuperador da história dos Grupos de Forcados de Riachos, sócio e amigo continuo a considerar-me o mais crítico (construtivo) sem intensão de ferir alguma susceptibilidade. Não me foi oportuno expressar a minha opinião neste treino, nem fazia sentido transmiti-la pois isso já foi feito no manual que elaborei (penso que em 2010) basta para tal lê-lo e interpreta-lo. Acontece que quase tudo esteve perfeito neste treino, o tal discurso inicial onde (penso) que todos assimilaram o que lhes foi dito pela atenção e concentração com que estiveram. As recomendações do cabo saíram expressivas bem como as correções feitas durante a parte prática do treino. Faltou uma coisa que está expressa no manual e á qual dou muita relevância pois mesmo sendo todos muito perfeccionistas é possível amenizar o peso da responsabilidade compartilhando decisões ouvindo outras pessoas que talvez possam esclarecer pontos que nos podem passar ao lado pelas mais diversas razões. Não me vai ser possível estar presente na corrida, de dia, 30-07-2016, por isso desde já desejo que Deus reparta a sorte por todos os intervenientes.     



                       

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Bencatel







Grupo de Forcados Amadores de Riachos, Bencatel, 2016

 Por falta de tempo não me tem sido possível acompanhar o Grupo, bem como fazer muita outra coisa que desejaria fazer.
Acontece no entanto que gostaria de retribuir a amabilidade que o meu amigo Paulo Nunes teve em me fazer chegar algumas imagens que recolheu no Festival Taurino em Bencatel, em 04 de Junho 2016.
O amigo Paulo Nunes lá me vai explicando que não é aficionado, nem lhe interessam técnicas de toureio porque não percebe nada disso. Interessa-se isso sim pelos pormenores e pelos momentos que na ocasião lhe parecem mais marcantes.
O que o amigo Paulo Nunes não sabe é que pelo seu olhar tem-me feito chegar verdadeiras obras de arte, arte essa que nem todos têm a sensibilidade para apreciar porque é diferente do que todos os dias nos aprece nas mais diversas formas.
Quando contemplo os instantâneos do amigo Paulo Nunes, consigo ver: frescura, a irreverência da juventude, alegria, abatimento, crenças, luz, movimento, união, a mesma emoção mas com diversas expressões. “O não aficionado” Paulo Nunes, através das suas fotografias consegue fazer-me ainda mais aficionado, pelo tempo que demoro a apreciá-las. 
Obrigado amigo Paulo.

sábado, 2 de abril de 2016

Treino aberto ao público








Decorreu à bem poucas horas um treino aberto ao público.
Cerca de cinquenta pessoas assistiram a esse treino.
Essa preparação do grupo (na analise que fiz) foi para o cabo rodar as ajudas, (malta nova) examinar se beltrano ou sicrano vai desempenhar melhor a função em determinada posição bem como testar a saída da cara do animal.
Não foi um treino duro como aqueles a que tenho assistido e penso que os responsáveis na escolha dos animais estiveram bem pois os animais nem maltrataram muito os rapazes nem tão pouco melindraram os corações de algumas mães que pela primeira vez viram um treino.
Os mais velhos deram o exemplo e “quase” só se ouvia a voz do cabo dentro da arena da Quinta de Miranda (como mandam as regras). E como o Grupo está bem, tem vindo em crescendo, por aí afora sempre no encalço daqueles que “defendem a tauromaquia” mas que lhes colocam obstáculos, muitas das vezes sem conhecimento de causa, cabe-me também a mim elevar mais um pouco a fasquia e perguntar: contei 23 elementos neste treino onde estão os outros tantos que tenho nas minhas estatísticas? É óbvio que alguns têm a sua vida pessoal e profissional que os impede a estarem presentes (desculpados) mas penso que outros faltaram por motivos fúteis (ou estarei enganado?) outros possivelmente misturaram Grupo (instituição) com motivos pessoais o que está errado. E para não me alongar mais porque a fasquia tem que ser levantada moderadamente para não ferir sensibilidades, onde para o “objeto” que serve para dar conhecimento que se vai desfazer a pega?
Levei uma convidada para assistir a este treino, pessoa idosa bem formada e que de lá veio entusiasmada com o que viu e a querer repetir novas incursões.
Como não sou de festas, logo que acabou o treino deixei a rapaziada a divertir-se, bem como a assistência a quem o Grupo ainda proporcionou uma rês para quem quisesse ir “brincar” além de comida e bebidas. 



sábado, 26 de março de 2016

Não basta dirigir-se ao rio com a intenção de pescar peixes; é preciso levar também a rede.





"O Xavier"


Este provérbio Chinês, pode ter muitos significados, depende da interpretação de cada um.
(Não sirvo de exemplo para ninguém) mas tal como todos os mortais tenho o direito em ter a minha opinião própria, a errar e de, até ser inconveniente perante as pessoas e instituições que me são queridas. ("Estamos tão familiarizados com a hipocrisia que a sinceridade de alguém nos vai parece um sarcasmo.")
Vem isto a propósito do “Xavier”.
O “Xavier” é o apodo com que resolvi denominar a cabeça de um touro embalsamada que me foi oferecida por um antigo elemento de um dos Grupos de Forcados formados na Vila de Riachos.
Esse elemento, que muito estimo foi o precursor da minha reentrada no mundo dos touros, mais concretamente no da “Forcadagem” da Vila de Riachos.
O “Xavier” tem uma lápide que mandei elaborar (porque foi oferecido à instituição) com o meu nome e (porque achei bem) com o nome de quem me o ofereceu. Assim o entendi para que ambos,  ficássemos a aparecer na história do Grupo, com a recomendação de que se por qualquer motivo o Grupo se extinguisse o “Xavier” fosse entregue ao Museu Agrícola de Riachos, para figurar e compor uma qualquer sala que se venha a equipar com a vasta história dos Forcados de Riachos, e não acabar em uma adega qualquer.
Outros itens, como a fotografia do nosso sócio honorário (benemérito) “sei do que falo” deveriam ter o mesmo destino e vão ter certamente.
Sempre acreditei nessa rapaziada embora o meu perfeccionismo me leve a querer que as coisas não vão ser assim tão lineares pois tenho ouvido muitas diretrizes mas atitudes tardas.
Acontece também, que fiquei embevecido, pois houve alguém que (me disse) e desde já agradeço, que o “Xavier” já foi aplicado. (Vale mais tarde do que nunca.)
A rapaziada está em crescendo, eu pouco ou nada tenho participado em termos laborais, mas dou o contributo que me é possível em outras vertentes que não são perceptíveis aos mais distraídos e sei que outras pessoas o estão e continuam a fazer, com pequenos e singelos gestos e às quais desde já agradeço, em meu nome e em nome de todos os que pertencem ou pertenceram ( já não estão entre nós) a essa grande e vasta família que são os Grupos de Forcados de Riachos.   
(Por nós e por todos aqueles que por cá passaram) venha vinho…         
            

quinta-feira, 24 de março de 2016

"never look a gift horse in the mouth"














Caros amigos:
Forcados, sócios, acompanhantes, simpatizantes, historiadores de tauromaquia e dos Grupos de Forcados que foram sendo constituídos ao longo dos anos na Vila de Riachos, Ribatejo Portugal. Venho por este meio informar que ultrapassamos as quarenta (40) mil visitas no nosso (vosso) blogue. Nada de mais, comparado com outros sites taurinos, mas sentimos que humildemente todos estão a dar um pequeno contributo na divulgação da história da tauromaquia Portuguesa.  

    “ Ouço como nenhuma outra voz, os grandes dizeres, em pequenos gestos.” Kleber Novartes

 Persisto, em deixar novamente um pouco da história da Vila de Riachos no que diz respeito à tauromaquia.
           
 Grupos de Forcados da Vila de Riachos

Para falarmos nos Grupos de Forcados da Vila de Riachos, (Ribatejo, Portugal), teremos que recuar no tempo até ao século XVIII.
 Já por essa altura, as gentes de Riachos, mostravam grande empatia pela festa brava, como nos dão conta umas frases escritas no livro “Visitas Paroquiais na Região de Torres Novas” de Isaías Rosa Pereira, que ao referir-se a uma ata escrita, quando no dia 31 de Outubro de 1747, depois de uma visita Paroquial à Igreja dos Casais de Riachos, feita pelo Dr. Luís Gomes de Loureiro em nome do senhor Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida, diz o seguinte:
Constou-me que os moradores, mordomos e confrades do dito lugar de Riachos, aplicam e gastam os rendimentos das confrarias e esmolas que dão os moradores do dito lugar, ou esmolas que lhes são impostas, em coisas menos licitas e festas de touros que não são do agrado de Deus”.
No seculo XIX, já Forcados de Riachos (embora não organizados como grupo) faziam pegas na Praça do Campo de Sant’Ana em Lisboa que foi inaugurada em 1831 e demolida no ano de 1889, três anos depois seria substituída pela Praça do Campo Pequeno, que foi inaugurada a 18 de Agosto de 1892, onde o grupo de forcados interveniente no espetáculo era o de Riachos.
Antigamente aos Grupos de Forcados, só era dado o nome do cabo: denominavam-se por isso o Grupo de Forcados do senhor “beltrano ou sicrano”
O Grupo de Forcados de Riachos, apareceu mais ou menos organizado por volta do ano de 1870, mas ai ainda com o nome do cabo que era Júlio Rafôa.
Nas últimas duas décadas de 1800, até às primeiras duas décadas de 1900, era o seu cabo Manuel Alcorriol, que teria sido o responsável pelo primeiro grupo de forcados que aparecia com o nome da terra que representava, e denominava-se por Grupo de Forcados de Riachos/Golegã.
Em 1885 no dia 17 de Maio foi inaugurada a praça de Touros de Torres Novas, e o Grupo de Forcados era composto na sua maioria por elementos de Riachos.
Em 1889 mais concretamente nos dias, 19;20 e 21 de Maio deram-se três corridas de touros na inauguração da Praça de Touros de Évora, em que foram lidados 36 touros e participaram os Forcados de Riachos/Golegã, assim denominados na altura.
A 4 e 5 de Março de 1894, realizaram-se corridas de touros na Praça do Real Coliseu Portuense, com a presença do Rei D. Carlos e dos Príncipes Reais, os forcados foram os de Riachos/Golegã.
Por isso crê-se que Manuel Alcorriol, terá comandado o Grupo até cerca de 1920.
José Sapateiro, terá comandado o grupo a partir do ano de 1920.
A este, sucedeu Antonio Serra Torres, depois Manuel Fáia, seguindo-se José Luís Coragem e por fim “Ruy Manuel”, tudo grupos profissionais ou “semi profissionais” quando digo “semi profissionais” é porque apareciam nos cartazes referenciados como Grupo de Forcados de Riachos, Grupo de Forcados Profissionais de Riachos, ou só Grupo de Forcados de “beltrano ou sicrano”
Na década de 1960, houve um interregno que durou até 1995, ano em que ressurgiu novamente o grupo comandado por João Antonio Rodrigues dos Santos.
Este grupo manteve-se até ao dia 25-10-1998, dia em que o cabo fez a sua despedida numa tourada integrada nas Festas da Bênção do Gado na Vila de Riachos.
No ano de 2004 a Câmara Municipal de Torres Novas edita um livro sobre parte do historial dos grupos de forcados da Vila de Riachos, com o título “Esquecidos da Morte” da autoria de Antonio José Amaral de Oliveira.
No ano de 2010, começa a haver nova “movimentação” de alguns elementos do grupo formado em 1995 com o intuito de fazerem renascer novamente o Grupo de Forcados Amadores de Riachos.
Embora já no final do ano de 2010, este novel grupo tenha realizado alguns treinos é no início de 2011, que eles se intensificam na esperança de fazerem a estreia, coisa que não se veio a verificar por falta de contratos.
Já quase no final da temporada de 2012, mais concretamente no dia 27 de Julho pelas 22h00 (uma sexta feira) o grupo faz a sua estreia numa corrida na Vila de Riachos, integrada nos festejos da Bênção do Gado é então o atual cabo, Carlos Branco Lopes.
O cartel foi composto pelos cavaleiros Ana Batista, Gilberto Filipe e Antonio Brito Pães, com seis touros da ganadaria Murteira Grave, para os Grupos de Forcados Amadores de Cuba e Riachos.
Os elementos que se fardaram para essa corrida foram:
Carlos Branco (Cabo); Jorge Lopes; Jorge Dinís (Rato); João Neves (Tordo); Luís Azevedo; André Gonçalves; Nuno Matos; João Brogueira “Nhoca”; Marco Alexandre “Marquitos”; Vasco Serrão de Faria; Pedro Correia; Fausto Costa; Luís Lima; Mário Vieira; João Ferreira; Paulo Ferreira; Nuno Gameiro.
O primeiro elemento a pegar por parte do Grupo de Riachos foi; Luís Azevedo à primeira tentativa, depois foi Nuno Gameiro também à primeira tentativa e a “arrecadar” o prémio para a melhor pega da noite e por último à segunda tentativa (numa rija pega) pegou Nuno Matos. 
Neste ano de 2016, temos a comandar o Grupo, João Paulo Conde Branco.
                                                                                             Texto: Amaral de Oliveira