domingo, 29 de janeiro de 2017

Toca p´rá unha, na Vila de Riachos









Ontem dia 28-01-2017, quis o Clube Taurino do Concelho da Chamusca (e bem) entregar o prémio Iniciativa ao “nosso” Grupo.
Quanto a mim, se alguém vai premiar alguém, foi porque esteve atento, reconheceu e valorizou o trabalho desenvolvido no decorrer de um determinado espaço temporal.
Ora, no “nosso” caso, dentro desse espaço temporal (temporada de 2016) existiram dois cabos a comandar o Grupo. Carlos Branco e João Branco.
Carlos Branco começou a desenvolver as atividades do Grupo no ano de 2010 e no ano transato passou o comando ao seu filho, João Branco.
Ambos no ano de 2016, e com as atividades efetuadas tiveram a responsabilidade e o mérito na obtenção deste galardão. Parabéns aos dois.
Como todos reconhecem (inclusive estes dois elementos) o prémio é extensível a todos aqueles que de uma ou outra maneira deram o seu contributo.
É óbvio que houve a iniciativa e o aval deste dois elementos, mas para que as coisas funcionassem em pleno teve que existir a envolvência de outras pessoas.
Todas elas, desinteressadamente deram o seu contributo trabalhando discretamente na orgânica dos eventos realizados e que não foram assim tão poucos, desde 2010.
Esses eventos foram importantes, não só para os elementos que compõem o Grupo, mas também para toda a comunidade.
Na minha humilde opinião (sou um medíocre observador) penso que o Grupo mostrou alguns dos seus objetivos que foram os seguintes:
1º - O reabilitar da tradição “Forcadagem” na Vila de Riachos
2º - Cativar jovens para uma prática que não está ao alcance de todos e incutir-lhes a responsabilidade de pertencer a um Grupo de Forcados, com todos os seus valores que podem e devem ser transportados para o dia-a-dia.  
3º - Fazer baixar ainda mais o prato da balança, com novos aficionados, muitos de tenra idade e que serão o futuro da Festa Brava.
Só por isso o Grupo, merece a compreensão e o respeito dos seus pares e iguais.
Esse respeito foi nesse dia 28-01-2017, traduzido em forma de prémio pelo Clube Taurino do Concelho da Chamusca, atenta ao trabalho desenvolvido por aquele coletivo de homens.
Todos de parabéns. Toca p´rá unha, na Vila de Riachos.

sábado, 26 de novembro de 2016

"Homens destes não têm predadores"













 Em 09-09-2013, entendi eu apresentar à Direção do Grupo de Forcados Amadores de Riachos, uma proposta para que o Sr. Walter Gameiro fosse aceite como sócio honorário do Grupo.
Quanto a mim existiram várias razões para que essa proposta fosse aceite e que foram explicadas quando da entrega do documento ao então cabo Carlos Branco. Proposta aceite e logo resolvi emoldurar uma fotografia do amigo Walter (que ainda não tive o prazer de conhecer pessoalmente) e que levei para a Tertúlia onde está exposta. Entendi também levar uma fotografia do meu neto para sugerir a todos os frequentadores da Tertúlia que é a partir de tenra idade que se fazem os toureiros (tal como o amigo Walter) ou em última hipótese ficam aficionados e logo assim não se perdem algumas tradições que os nossos antepassados nos transmitiram.
O amigo Walter Gameiro nascido na Vila de Riachos em 1946 (Casal das Maurícias) foi na década de 1940, “mascote” do Grupo comandado na altura por António Serra Torres. A família do amigo Walter, da parte materna eram os “Duartes”. O seu bisavô foi proprietário de uma Quinta á saída de Riachos para o lado de Torres Novas e que se estendia até ao rio. Essa Quinta foi vendida pelos seus avós maternos, António Duarte, por alcunha (O Riscado) e a sua avó Emília da Conceição Amado que depois rumaram a África.
A família do nosso amigo do lado paterno são os “Gameiros”. Os seus avós Manuel Ferreira Gameiro e Maria Rosa Gameiro eram proprietários de uma loja e uma leitaria no Lugar Novo fazendo esquina com a rua nova (ou principal).
Os país do nosso amigo Walter Gameiro, eram Joaquim Ferreira Gameiro e Conceição Duarte Gameiro, que rumaram a África no ano de 1949.
Seu pai era funcionário dos correios e foi contratado para construir a primeira Central Telefônica Automática em Lourenço Marques, (estudou telecomunicações em Liverpool Inglaterra).
Walter Gameiro, em uma das vindas de seus país a Portugal, acabou por fazer a 4ª classe em Riachos e também o liceu até ao quinto ano.
Depois estudou Eletromecânica e Máquinas no Instituto Industrial de Lourenço Marques, onde também cursou Engenharia Mecânica. Viveu na África do Sul, onde fez o mestrado. Frequentou também a Universidade de Navarra.
No Texas, E.U.A. onde se radicou em 1994, e constituiu família, fez o Doutoramento em Engenharia Mecânica e a partir dessa altura deu cerca de 40 Conferências em Fóruns Internacionais, fez Seminários em Universidades Portuguesas e foi Consultor na famosa cadeia Walmart (Walmart tem 8.500 lojas em 15 países diferentes, com 55 nomes diferentes), é uma das maiores empresas do mundo.
Walter Gameiro praticou cerca de 16 desportos diferentes e muito deles radicais onde chegou a conquistar campeonatos. Publicou dois livros.
A sua paixão pelos touros herdada de família (Riachense) levou-o a ser Forcado no Grupo de Xinavane, em Lourenço Marques, Moçambique.
 Quanto a mim (pessoalmente) e para este Blogue, faz todo o sentido dar a conhecer aos elementos mais novos do grupo (os mais velhos já devem ter estudado a matéria!!!) toda a História dos Grupos de Forcados de Riachos, que (lembrem-se sempre) não é só constituído por aqueles que envergam a Jaqueta mas sim por um conjunto de pessoas (umas mais do que outras) que fazem com que isso aconteça, cada uma à sua maneira.  Esta é a primeira de algumas personagens que entendo ficarem na história desses grupos que foram ao longo dos anos sendo constituídos nessa Vila Ribatejana, que é Riachos.
Walter Gameiro (Riachos)
Walter Gameiro Grupo de Forcados de Xinavane (Moçambique)
Walter Gameiro (Riachos)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Balanço de 2016















Aqui deixo a todos os seguidores deste Blogue, um breve resumo do que foi a temporada de 2016, do nosso Grupo e elaborada pelo atual cabo João Paulo Conde Branco, um dos mais jovens cabos de Forcados, da atualidade. 




  Chegamos ao fim de mais uma época taurina, com isto queremos -lhe fazer um balanço daquela que não foi a temporada com que todos nós sonhamos, mas em que sempre demos o nosso melhor por onde passamos e sempre com o pensamento e a obrigação de respeitar e honrar a figura do forcado dentro de praça e fora dela, também honrar o bom nome da nossa terra, sentindo o grande peso da jaqueta que vestimos, desde treinos a demonstrações de pegas e às corridas que realizamos, o Grupo de Forcados Amadores de Riachos está em fase de crescimento e a passar uma boa fase, muita malta jovem e com garra para elevar o nome de RIACHOS por estas praças do nosso pais.
A nossa temporada em números são os seguintes:
Início de época: treino a 30 de Janeiro - Centro Hípico e Tauromáquico Lusitaurus, Montoito.
Treino a 21 de Fevereiro na Praça de Toiros de Azambuja conjuntamente com o Grupo de Forcados Amadores do Ribatejo.
No dia 9 de Março temos oficialmente como madrinha do nosso grupo, a excelentíssima Fadista e grande Riachense, D. Teresa Tapadas.
Treino a 13 de Março na Quinta do Falcão do Cavaleiro Tauromáquico Rui Salvador.
Treino aberto ao público na Quinta de Mato de Miranda no dia 2 de Abril.
Demonstração de pegas no dia 8 de Abril na festa do "OLÉ OLÉ ALFEIZEIRÃO".
Treino a 16 de Abril -Centro Hípico e Tauromáquico Lusitaurus, Montoito.
Demonstração de pegas dia 30 de Abril na festa do "OLÉ GOLEGÃ".
Demonstração de pegas dia 1 de Maio em Comeira.
Demonstração de pegas no dia 21 de Maio, festa campera em Riachos.
Corrida de toiros em Bencatel no dia 4 de Junho. Toiros Rodolfo André.
Demonstração de pegas dia 25 de Junho nas festas de Porto de Mós.
Corrida toiros em Riachos no dia 30 de Julho pela festa da Bênção do Gado pegando o nosso grupo em solitário toiros da ganadaria Paulo Caetano.
Demonstração de pegas dia 10 de Setembro na praça de toiros de Assumar.
Demonstração de pegas dia 15 de Outubro na praça de toiros da Barquinha a favor de angariação de fundos monetários para o "RICARDINHO".
Estamos orgulhosos de todo o trabalho que foi feito esta época, esperamos que na próxima época seja ainda melhor e que consigamos o nosso principal objetivo que é a entrada para a Associação Nacional de Grupo de Forcados para que possamos também cumprir o nosso sonho!
Agradecer do fundo do coração a todos aqueles que acreditam em nós, a toda a Direção do nosso grupo que tem sido incansável, aos nossos acompanhantes que vão conosco para todo o lado e que estão sempre do nosso lado nos bons e maus momentos!
O NOSSO MUITO, MUITO OBRIGADO!!!!!
O cabo
JOÃO PAULO CONDE BRANCO

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Cara Linda

Treino- Grupo de Forcados Amadores de Riachos (um curioso)


João Barbosa, tinha o apodo de Cara Linda, e ficou registrado que essa alcunha talvez se devesse a ter um rosto muito redondo e rosado.
Cara Linda foi um famoso forcado que passou pelo Grupo de Riachos em finais do século XIX, era tão famoso que por vezes vinha anunciado como o primeiro forcado Português.
Nasceu em Santarém em 1861.
Teria rumado ao Brasil em Janeiro de 1891, integrando um Grupo de Forcados composto por homens do Ribatejo. Com eles seguiram o cavaleiro Fernando de Oliveira, uma quadrilha de Bandarilheiros e 30 touros dos mais afamados Ganadeiros, Portugueses e Espanhóis.  
Em Abril de 1896 também por lá andou e em 1897, voltou novamente ao Brasil, para não mais regressar a Portugal, porque no dia 18 de Julho desse ano ao fazer uma pega foi colhido com tal violência que faleceu no dia seguinte, realizando-se o funeral no dia 20-Julho-1897, para o cemitério de São Francisco Xavier, conhecido como cemitério Caju, localizado no Bairro Caju, na zona Norte do Rio de Janeiro.
Diz a notícia “deixa em Santarém Portugal, sua terra natal, mãe e irmão".
Continuando as pesquisas vou-me deparar com uma outra notícia de uma corrida de touros realizada no dia 1 de Agosto 1897, também no Brasil, em que nos diz “ nas duas pegas à unha sobressaíram Jacaré (outro forcado que passou pelo Grupo de Riachos, e que darei noticias mais tarde) e o filho do Cara Linda". Agora que recuperei mais alguns dados do Cara Linda, para juntar à Historia do Grupo vou também tentar recuperar alguma coisa do seu descendente.   
  



sábado, 22 de outubro de 2016

"Imparcialidade"







Uma vez alguém disse:
“Um livro é um mundo mágico cheio de pequenos sinais, em que os mortos podem regressar à vida e os vivos podem viver eternamente”.
É correto este pensamento embora não se aplique só aos livros mas sim a tudo o que nos rodeia. Para tal basta estarmos atentos a sinais e com sensibilidade suficiente para os interpretar.
Posto isto apraz-me dizer que estão de parabéns todos os intervenientes no espetáculo de beneficência que se realizou no dia 15 de Outubro, 2016 na Praça de Touros de Vila Nova da Barquinha porque souberam interpretar esses sinais.
Segundo li, o Ricardinho, é um menino de 8 anos que alguém “sinalizou” com a finalidade de lhe proporcionar uma melhor qualidade de vida.
O G.F.A.R. não ficou indiferente a esse apelo bem como já não tinha ficado a outros onde se disponibilizou para proporcionar alguns “momentos mágicos” a essas pessoas e eu fiquei sensibilizado e orgulhoso “dos meus rapazes”. Parabéns a todos bem hajam.
Faz algum tempo (meses) que não posso acompanhar o Grupo, mas vou tendo algumas notícias em conversas fortuitas que mantenho com quem está perto dos acontecimentos.
Por vezes ao saber da disponibilidade do Grupo para dar o seu contributo a quem quer que seja e dentro das suas possibilidades, fico a pensar:
- Mas quem é que os ajuda a eles? E fiquem a saber que esses rapazes até nem pedem muito. Pedem simplesmente que lhes deem uma oportunidade para fazerem o que mais gostam.
Não deve de ser fácil a um qualquer Cabo de Forcados motivar a rapaziada quando surgem alguns convites para pegarem em corridas onde atuem outros Grupos com os quais não podem pegar.
Como aficionado (leigo na matéria) já ando embaralhado e não consigo perceber se quem quer acabar com as touradas são os anti Taurinos ou os que defendem a tauromaquia. Também me começo a aperceber que afinal não existe na forcadagem tanta união como pensava que existisse e como me foi transmitido pelos meus antepassados pois não vejo grupos a manifestarem-se em apoio de outros Grupos. Ou seja: - Eu estou bem, os outros que se lixem.
Julgava eu que todos os valores que um Grupo respeita era extensível a todos os Grupos e que a solidariedade começava quando um Grupo não se recusava a pegar com outro independentemente das consequências, se é que elas existem pois quanto a mim as maiores consequências que um Grupo pode enfrentar estão dentro da arena tudo o resto deveria ser paisagem.
Como aficionado começa-se a apoderar de mim um certo desgosto e algum desconforto com estas situações. Aliás alguma da minha indignação no que respeita à tauromaquia surgi-o em artigos que li datados do final do século XIX início do século XX, onde os Grupos de Forcados não eram referenciados e quando o eram os jornalistas geralmente faziam-no em modo depreciativo.
Quem escrevia essas notícias estava mais virado para o toureio equestre ou apeado, transparecendo serem tendenciosos e não imparciais porque talvez tirassem benefícios com isso. Outros tempos.
Agora mudando de assunto quero informar que a tertúlia do G.F.A.R. levou uma remodelação (informação dada pelo antigo cabo Carlos Branco) para que os frequentadores tenham mais conforto nesse agradável espaço. Podem consultar os horários na página do Grupo no Facebook.
As minhas pesquisas continuam e quando eu achar oportuno darei mais noticias.