sábado, 19 de maio de 2018

Garças Rolantes Brogueira











Fui, porque calhou em dia de folga.
 Coisa rara coincidir com eventos do G.F.A.R..
“Por portas travessas” soube que iria haver treino do Grupo. Liguei ao amigo Seixas que me confirmou horário, mas ambos (primeiros a chegar á Quinta de Miranda) tivemos uma surpresa quando da chegada dos primeiros intervenientes na função.
Primeiro comecei por cumprimentar e ser cumprimentado por amigos que já não via há muito tempo. Depois apercebi-me que pelo roncar das motos que se aproximavam que “a coisa não iria ser só entre nós”.
Refletindo sobre o que aconteceu que eu presenciei a ideia foi bem conseguida e até me apetece especular sobre o assunto.
O Clube de Motociclistas da Brogueira “Garças Rolantes” convidou ou teria recebido a visita de um Grupo estrangeiro de motociclistas. Pelos vistos “rolaram” nas suas motos pelo Ribatejo, focados em pontos de interesse turístico. Possivelmente os anfitriões do Clube Motociclista da Brogueira, Freguesia de nascimento de Humberto Delgado (General sem Medo), lembraram-se em boa hora de mostrar a esse grupo de estrangeiros uma singularidade Portuguesa. Sendo o Grupo de Forcados Amadores de Riachos, o único Grupo de Forcados do vasto concelho de Torres Novas, porque não proporcionar-lhes mais esse foco cultural.    
Assim o fizeram.
Pelo que constatei, esse grupo de estrangeiros divertiu-se e até houve um que se disponibilizou (no meio de dezenas) para ter um contacto mais intimo com um animal.
Uma manhã deste dia 19-05-2018, bem passada, com o atual cabo do Grupo de Forcados Amadores de Riachos, Nuno Matos, com atitudes que me caíram bem saindo eu e o amigo Seixas satisfeitos bem como todos os espectadores a avaliar pela alegria e empatia que tiveram com os intervenientes.
Sem rodeios e com a simplicidade que eu aprecio nestes rapazes (que são povo do mais genuíno) com uma história na forcadagem deste País que reconhecem e respeitam mas que não deixam “as divisas subirem-lhes à cabeça" chamaram a pequena Maria (com letra grande) que pegou, um novilho de caras para gáudio dos estrangeiros por tamanha temeridade.




segunda-feira, 19 de março de 2018

"Entregar o ouro ao bandido"










Porque devo respeito aos seguidores deste Blogue, cabe-me informar o seguinte:
Apanhado de surpresa por uma rede social, onde através de uma notícia ai publicada tomei conhecimento que “se demitiu” o Cabo dos Amadores de Riachos, João Branco” fiquei perplexo (mas não tanto). Eu, “afastado” das lides do Grupo, pelos motivos que anteriormente tenho evocado não me cabe fazer apreciações sobre tal ato, respeitando a atitude do interveniente, embora tenha a minha opinião formada acerca de tal decisão (que pode não corresponder á verdade mas que é minha) e não necessito de pedir desculpa a ninguém por a estar a melindrar nesta minha análise dos factos que vou fazer. Como é sobejamente conhecido o meu “hobby” é recuperar a história dos “Homens de Forcado” e Grupos que fazem parte da “História do toureio em Portugal” e que são oriundos da Vila de Riachos. Não me canso de referir este livro. “Visitas Paroquiais na Região de Torres Novas” de Isaías Rosa Pereira, que ao referir-se a uma ata escrita, quando no dia 31 de Outubro de 1747, depois de uma visita Paroquial à Igreja dos Casais de Riachos, feita pelo Dr. Luís Gomes de Loureiro em nome do senhor Cardeal Patriarca D. Tomás de Almeida, diz o seguinte:
“Constou-me que os moradores, mordomos e confrades do dito lugar de Riachos, aplicam e gastam os rendimentos das confrarias e esmolas que dão os moradores do dito lugar, ou esmolas que lhes são impostas, em coisas menos licitas e festas de touros que não são do agrado de Deus”. (Quanto a isto e para bom entendedor meia palavra basta).
Então, sabendo nós que a Vila de Riachos tem “culpas” no desenrolar da “Festa dos Touros” no nosso País, pressupomos que exista da parte de quem de direito, mais respeito, pela história, deste povo e da Tauromaquia no geral o que não acontece. Bom! Mas para sermos respeitados temos que nos dar ao respeito e é aí que entra a minha opinião acerca do abandono do cabo João Branco. Seu pai Carlos Branco, organizou e chefiou o Grupo desde o primeiro treino em 08-08-2010 até á “passagem de testemunho” para o seu filho João Branco em 26-07-2015. “Sei eu e sabe Deus” as dificuldades por que passou o Cabo (e não só) para iniciar assim uma nova “golfada de ar Tauromáquica” na Vila de Riachos e sempre com o objetivo de se integrarem “ no meio taurino” de igual para igual respeitando sempre as diferenças entre quem já está e de quem está a começar do zero mas com muito querer, responsabilidade, e respeitando a história: Era, uma oportunidade de que necessitavam e o “POVO” (publico) que fosse o Juiz. Não tiveram essa oportunidade, mas para mim tiveram uma coisa muito mais importante. Todos os que se iniciaram nesta aventura fizeram acontecer um sem número de eventos para cativarem novos aficionados (que aos olhos de muita gentalha são eventos menores sem projeção, sem lucro). Medíocres que são, essas criaturas esqueceram-se que tal como a escravatura e a pena de morte “acabou”, também a Tauromaquia, tem tendência a acabar, ido por esses caminhos que muita gente está a calcorrear. As camadas mais jovens estão viradas para outras vertentes mais cómodas já não se sujeitam a sacrifícios nem a temeridades se não forem educadas para isso desde tenra idade (tudo isso o Grupo tenta fazer). O João Paulo, embora “tenha sido criado” no ambiente taurino através do seu pai e tenha enveredado por ser Forcado, não estava preparado para comandar um Grupo. Esteve bem (diria muito bem) quando se iniciou no grupo de Forcados Amadores de Tomar, nessa altura comandado pelo Sr. Carlos Alberto. Com a passagem para o Grupo de Riachos, (comandado pelo seu pai) o seu “rendimento” não abrandou sendo ele um Forcado da cara, onde esteve sempre á vontade e á altura de todas as situações. Como tal quiseram os seus companheiros indigita-lo como cabo mas como jovem que ainda é (com sangue na guelra), sempre quis mais, melhor e depressa, focando-se em objetivos (e bem) mas que outras energias não o deixaram concretizar. Entrave atrás de entrave a malta jovem não tem paciência para aguentar a pressão, e quanto a mim o João Paulo com esta desistência está “a dar o ouro ao bandido”. Como Forcado da cara, o João Paulo quer pegar touros, queria que o seu Grupo fosse mais visto e reconhecido, ter mais corridas, mas esqueceu-se do mais importante que é parar para pensar. Por vezes é necessário mandar tudo às urtigas, continuar com um passinho certo, fazendo aquilo que se gosta promovendo treinos e eventos para nos deliciarmos, mantendo a tradição da Festa Brava, “na nossa terra”, fazendo novos aficionados que é um trabalho de base que não está ao alcance de todos. Isso é que é um trabalho de valor e um dia talvez apareçam no meio taurino pessoas inteligentes que o reconheçam se entretanto os que por lá andam não derem cabo do resto. Vejamos os eventos que o grupo promoveu na altura do Carlos Branco, observemos os jovens que não tendo muita tradição na tauromaquia, se juntaram ao Grupo, onde uns ficaram, outros abandonaram mas renasceram aficionados e outros ainda “mudaram de camisola” e foram preencher as lacunas de outros Grupos. Só por isso eu iria sentir-me orgulhoso sem ressentimentos tal como se deve sentir o antigo cabo e os seus pares. Nesse comunicado saltou o nome de Nuno Matos para seguir com os desígnios do Grupo, faço votos para que tudo continue a fluir favoravelmente e não voltem a entregar o ouro ao bandido. Quanto a mim, cá vou continuando (ao meu ritmo) com as minhas pesquisas onde tenho compilados cerca de 161 cartéis de corridas de touros entre 1884 e 1965, onde participaram Forcados de Riachos.                             


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

"Jantaradas"






No intervalo de tempo que medeia o final de uma temporada e o inicio de outra, costumo fazer uma reflexão sobre o desempenho do Grupo.
Essa reflexão vai muito para além de treinos, corridas ou outros eventos.
Analiso fotografias, vídeos, comportamentos e no final acrescento sempre alguma coisa aos pensamentos com o intuito de na próxima época se melhorar alguma coisa.
No início quando a vida me permitia estar mais presente tanto nas idas à tertúlia bem como a acompanhar o Grupo, por vezes fazia questão de dar conhecimento ao cabo desses meus "devaneios tauromáquicos" mas não de todos, até porque nem percebo muito do assunto, podia cair no ridículo e até mesmo tornar-me inconveniente.
O meu trabalho (prazer) para com os Forcados de Riachos, limita-se exclusivamente em recuperar a história, o que para a maioria dos elementos que compõem o Grupo não é um trabalho muito visível.
Então, por não ser visível fazia questão de nos jantares de Natal ou fim de época, fazer um discurso baseado em acontecimentos do passado recordando os nomes dos que já nos deixaram e que foram os percursores da "Forcadagem"  na Vila de Riachos.
Embora pequenos, acredito que esses discursos fossem fastidiosos para a maioria dos rapazes, muito pouco dados a histórias.
No entanto era meu objetivo faze-los sentir a responsabilidade de estarem integrados num Grupo que representa uma localidade e as suas gentes, com mais de 270, anos de história (muita foi perdida) a divertirem-se com "festas de touros".
Também, durante o ano (quando me lembro) ou no final destes, costumo ter uma palavra de circunstância (a que um amigo chamou e bem de formalidades) para com aqueles que contactados por mim, ou que por iniciativa própria me contactaram, deram e dão  (à sua maneira) algum conforto aquela rapaziada.
Também, como sempre tem acontecido eu não sou esquecido e no dia 10-12-2017, foi-me feito o convite para estar presente no jantar de Natal ou fim de época, mas mais uma vez não vou  poder estar presente, mas certamente que me vou continuar a fazer representar.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

NÃO DEVERIA DE SER ASSIM

Foto: Amaral de Oliveira



Os filhos nunca deveriam partir antes dos progenitores.
As mães não deveriam de andar anos e anos desgastadas com um aperto no coração.
Os cabos de Forcado, não deveriam ficar para toda a vida marcados pelo dilema de terem mandado aquele Forcado ao touro e porque não ao outro touro.
Os companheiros não deveriam ficar para sempre com a dor de terem perdido um igual que em tantas tardes e noites dera o “corpo ao manifesto” (reciprocamente), para se livrarem de situações difíceis.
A despedida de um Forcado não deveria ter sido uma despedida fatal, mas sim uma continuação de camaradagem, ensinamento, aconselhamento aos novos elementos.
Tal como também uma estreia não deveria ficar marcada para toda a vida na memória de um jovem, pelo infortúnio de outro jovem.
Não deveriam existir interesses que se sobrepusessem aos sonhos dos jovens que apesar das contrariedades continuam a não abandonarem a função.
A vida é assim.
Irá continuar assim.
MAS NÃO DEVERIA DE SER ASSIM.